Voltei...
Estava cá eu lendo um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) de 1995 do então graduando em Comunicação Social, Habilitação em Jornalismo, Luciano Victor Barros Maluly – hoje ele é doutor e professor na USP – a respeito da relação entre a arte e a força no futebol. Mais exatamente com o seguinte título: Relação arte e força no futebol: um conflito à brasileira na visão da crônica esportiva.
Fica aqui o meu agradecimento ao Profº. Drº. José de Arimathéia, que me cedeu gentilmente esse trabalho.
Ainda não terminei de lê-lo, mas não há como não ligar a relação, então bem descrita por Maluly em 1995, a atual Seleção da CBF. Sim, da CBF! Porque Seleção que entra pelas portas dos fundos de um hotel, para evitar os torcedores, que estão ali para receber os jogadores com admiração e carinho, não pode ser chamada de Seleção Brasileira e muito menos do povo! Nem culpo os jogadores por isso, porque eu quero crer (e espero não estar enganado) que eles receberam ordens para seguir esse roteiro.
Desculpe o desabafo, mas há certas atitudes dos cartolas que irritam.
Bom, mas retomando a linha de raciocínio.
A primeira fase da Copa América, que é disputada na Venezuela, foi um Deus nos acuda! Um futebolzinho que dava dor no coração e muito sono.
Ainda bem que o sofá estava confortável.
E tenho que admitir: a única Seleção que jogou algo semelhante ao que chamamos de futebol fora a Argentina. Sim, sim. O Brasil jogou bem contra o Chile, na vitória de 3 a 0. Mas só depois dos 20 minutos do segundo tempo. Antes, sem parafrasear o Galvão, mas já o fazendo, “Haja coração!”.
Mas e as quartas-de-final. Mata-mata. Viu como mudou?
4 a 1, 6 a 1, 6 a 0 e 4 a 0. Uma média de cinco gols por jogo!
O Brasil goleou e jogou bem, sim, é verdade. Mas cabe aqui uma pergunta. Aliás, duas: a seleção atuou bem por que os chilenos tomaram um gol no início e tiveram de sair para o jogo, deixando espaços para os brasileiros? Ou a real qualidade técnica dos jogadores da seleção da CBF se sobressaiu?
Prefiro acreditar na segunda hipótese.
Porém, mesmo assim, o digníssimo técnico, Dunga, ainda insiste com três volantes no escrete. Logicamente esses atletas sabem desempenhar as funções que lhes são impostas, mas é pena, porque vejo que a mentalidade do futebol-força, futebol-resultado, mesmo com atletas no banco de reservas de boa qualidade (Diego e Anderson), ainda persiste com alguns treinadores.
Que saudade do mestre Telê...
Logo mais, lá pelas 21h50, o Brasil enfrenta o Uruguai na primeira semifinal da competição. Tenho a convicção que não será um jogo fácil e não precisa ser nenhum vidente para prever isso. Mas eu quero deixar aqui um trecho que li no TCC do professor Maluly, onde ele cita Armando Nogueira, para que, quem sabe, os deuses do futebol permitam um pouco de arte na partida de hoje.
“Pois é, meninos, eu vi Pelé, Mané e Didi.
E com eles, aprendi que a bola é só um pretexto.
O que vale mesmo é o texto.
O que o artista elabora no campo, a cada gesto.
O que vale é só a arte.
Tudo o mais é só o resto”.
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2 comentários:
Querido colega,
Estou emocionado ao ler seus comentários, inclusive com citações ao meu trabalho. Obrigado, muito obrigado!
Um abração do Luciano Maluly
Professor Luciano Maluly,
E eu honrado em ter um comentàrio seu em meu blog. Comprimentos pelo excelente TCC, que me foi muito bem recomendado pelo nosso amigo e professor, José de Arimathéia.
Forte abraço.
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