Há umas duas semanas eu fui ao cardiologista para fazer aqueles exames de rotina e, graças a Deus, está tudo bem. Mas ainda assim levei aquele puxãozinho de orelha do doutor, quando me perguntara se eu estava praticando alguma atividade física e eu lhe respondera que não.
Disse ele: “Guaita, você precisa fazer algum exercício físico. No mínimo, três vezes por semana”. Eu lhe respondi que faria o possível, mas que não estava fácil arrumar tempo.
Cumprimentei-lhe, sai da sala, assinei alguns papéis na recepção, peguei os meus exames e fui embora ciente que está tudo bem com o meu coração.
Faz duas semanas e ontem eu tive a certeza, por duas vezes, que os exames, graças a Deus, estão corretos.
Prometi a mim mesmo que pararia para ver, às 15h, a final entre Brasil e Cuba do vôlei feminino no Pan Rio 2007. Cheguei a minha casa, exatamente, às 15h34.
Da porta, nem havia entrado direito, já perguntei ao meu pai o resultado do jogo.
Estava um set a zero para as brasileiras.
Sentei-me no sofá e comecei a assistir a partida.
Bola de cá, de lá, bloqueio, erro de passe, de recepção, as cubanas provocando e eu ali, sentado, sem abrir a boca. Cuba empata. Um set a um.
Pensei comigo: “Só não quero o ‘tie-break’”.
Vem o terceiro set e o Brasil vence por 25 a 22. Beleza. Dois sets a um.
Era ganhar o quarto set e o ouro ficaria no país
Quarto set. As brasileiras somem de quadra e as cubanas abrem cinco pontos de vantagem. E eu, nesse momento, começo a me remoer.
Acontece a recuperação e a seleção pode fechar. Mas nada disso.
Ocorre, sim, uma batalha incrível! Ponto a ponto.
26 a 25; 26 a 26; 27 a 26; 27 a 27; 28 a 27; 28 a 28; 29 a 28; 29 a 29; 30 a 29; 30 a 30 (aqui eu já tinha jogado a almofada na tela da televisão umas três vezes e falado um monte de bobagem!); 31 a 30; 31 a 31; 32 a 31; 32 a 32; (já suando mais que as jogadoras em quadra) 32 a 33 e, finalmente, 32 a 34.
Cuba empata e haverá o “tie-break”.
Meus batimentos cardíacos deveriam estar a mais de duzentos.
Assisti ao último set em pé, quase entrando na TV e, literalmente, jogando junto! Porém, a seleção brasileira perdeu por 17 a 15.
Final de partida e o meu coração a mil.
Passou bem por esse teste, embora com tristeza.
Esse foi o primeiro do dia.
Quem me conhece desde a época de Cambará – minha cidade natal – sabe que já fui um palmeirense doente, fanático.
Ainda sinto carinho pelo time de Palestra Itália, mas não como há dez, nove anos.
Hoje gosto de futebol, não de um time específico.
Ontem, porém, enquanto lia alguns textos aqui em casa, deixei o rádio ligado no jogo do Palmeiras e Santos.
Estava com um volume razoavelmente baixo e só ouvia algo quando o locutor gritava “gol”.
E logo de início saiu um. Do Santos. Nem dei bola. Continuei a minha leitura, mas fui interrompido por outro grito de gol. Era do Palmeiras. De empate.
Menos de 20 minutos de partida e o placar estava 1 a 1. Quando isso acontece, normalmente, é um jogo daqueles.
Resolvi parar a leitura e me concentrar só na locução.
Palmeiras pressiona e o Santos no contra-ataque.
Até que no finalzinho do primeiro tempo o time da baixada faz o segundo gol. 2 a 1.
O árbitro apita – intervalo.
Recomeça e continua praticamente do mesmo jeito. Só que com o Palmeiras atrás do placar, buscando o gol de empate e o Santos aproveitando os espaços deixados pelo time alviverde.
Na metade do segundo tempo, acho que voltei no tempo e comecei a torcer pelo time de Palestra Itália.
E confesso: ouvir jogo pelo rádio, apesar de conhecer um pouco da mecânica da transmissão – os exageros do locutor – não é fácil.
Comecei a vibrar e a colar o ouvido no radinho, a cada lance de ataque do verdão.
25 minutos e nada. 30 e nada. 35, 40. Eu nervoso ao pé do rádio, com o coração a mil, agarrado ao meu crucifixo, pedindo a Deus pelo menos o empate.
45 minutos. O repórter de campo avisa que haverá três minutos de acréscimo.
Já com o radinho nas mãos, pronto para desligá-lo, aos 47, o Palmeiras empata.
Soltei aquele berro!!! Gol!!!
Final de jogo e o coração aprovado no segundo teste do dia.
Juro que já voltei ao meu estado de amante dos esportes, sem se deixar levar pela emoção.
O coração agradece.
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